terça-feira, 4 de agosto de 2015

Tem dias que a gente cansa. Cansa mesmo. 
Cansa daquele autor que costuma acompanhar. Cansa daquela Banda que sabes tudo, de có, letra e salteado. Cansa daquela pessoa, que queria por perto, no entanto, ela não faz o mesmo para permanecer. Cansa de Redes Sociais, que são 90% de fotos absolutamente cheias de filtros bonitos e com frases de efeito. Tudo perfeito.
Diante de tanta beleza a gente não tem coragem de mostrar a nossa dor. Ela não pode desfilar na sociedade virtual, em memes falsos de Clarice Lispector feliz. De Nietzche autoconfiante. Clarice também era triste. Nietzsche sofreu com um amor que não era mútuo. Caio Fernando Abreu também era louco. Rachel de Queiroz era uma grande militante. Mas, por algum motivo, por ironia, os trechos desses autores são eles sempre felizes ou simplesmente frases fakes. Por quê? Qual é o medo de mostrar a dor, o cansaço, a crítica e a subjetividade? De ir a fundo, por exemplo, nas obras dos ditos cujos?
São muitos padrões de vitórias. De falar a coisa certa. Ser o correto. O mundo não só é sucesso. A gente tem medo e confusão, inquietude e significação, e olhar pra isso tudo é olhar pra quem somos. Ou acho eu, me permito a dúvida, também me permito ser questionada e errada, e transitória e nem sempre fazer sentido.
Tudo bem falhar. Tudo bem não está disponível. Tudo bem não se controlar. Tudo bem não ter paciência. Tudo bem errar. Tudo bem falar sobre isso. Até as flores, por mais belas que sejam, murcham, tem espinhos e não tendo cuidado, machucam.
Temos nossas fases, nosso tempo, nosso tormento, nossas felicidades e qualidades.


Nenhum comentário:

Postar um comentário