quinta-feira, 7 de julho de 2016

O que eu sinto está abstrato demais. Agora mesmo sentei na varanda e, jorrando com a chuva, desejei uma arte que não existe. Que fosse um quadro sem pintura, um filme sem imagem, uma música muda, um livro analfabeto. Uma expressão só de sensação emoldurada pra me acalentar na prateleira. Dessas que não tem nome, que são o cruzamento de vários outros sentires e nos emudecem pela magnitude de sua grandeza. Gostaria de estar viva pra presenciar a produção de um meio que acalentasse esse não saber como explicar. Ah! Como eu queria sentir a prova da individualidade disso que me aniquila. Sigo precisando que compreendam algo em mim que nem eu mesma entendo. 
Ando ateia da amplitude alheia. 

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