sábado, 10 de janeiro de 2015


Sempre fui essa menina doida, perdida no mundo, vivendo por amor. Uma menina que acredita em sonhos, não em utopia. Que escreve coisas sem pensar, que fala com os olhos, que grita com o corpo. É que eu nunca soube lidar com à vontade, à saudade e à ausência. Não sem surtar, sem confundir. É que sou feito um cão que se sente abandonado, se o amigo demora pra chegar, pra afagar. E fico inquieta, acuada, aflita, afoita. É que meu coração é um vulcão em erupção; me queima, explode, machuca; escorre lava pelas veias. É que esse é o meu jeito, não sei ser nem existir de outra maneira. Me mutilo, choro sozinha, tenho medo, transbordo saudade e alegria. É que eu também sei que o ontem passou, mas acredito que o hoje tem vestígio de ontem, e o amanhã é fruto de hoje, então o ontem ainda me dói. É que eu tenho uma visão tão doce do mundo, mesmo quando me irrito ou implico de graça, mesmo quando a porrada é tão forte que me atira no chão; minhas lentes são feitas de açúcar. É que eu sei que as vezes sou tão louca que assusta, tão triste que preocupa, tão intensa que surpreende, tão sentimental que enjoo. É que nasci pra transbordar, pra alastrar.
Minha mãe sempre diz: é fogo te aturar, menina.
Pois é, mãe, sou brasa. sou fogo. sou chama. Um incêndio.

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